20.2.12

Solidão menos infeliz

Não teve adeus. E foi melhor assim.

Há encontros que não foram feitos para ser o primeiro. Sabe-se lá por qual força maior, não foram. Foram feitos pra ser apenas o único. E, mesmo que aconteça tanto amor nele, nada vai passar daquele momento. Não tem realmente um porquê. Ninguém quis dizer adeus, ninguém quis ir embora, mas a vida separou essas duas vidas. A própria vida foi levando um do outro devagar. Eles perceberam, como não poderiam? Mas o que poderiam fazer? Sabiam que iam para lugares diferentes. E nenhuma outra força os puxava para perto.
Tudo começara muito bonito, assim como terminara. Uma conversa. Uma conversa boa de se ter, que nunca se quer terminar. Eles estavam em sintonia. Quando ela levantava o braço direito, o esquerdo dele fazia um movimento parecido. Era como se, sem querer, fossem um espelho do outro. Havia, inacreditavelmente, muita leveza ali. Paz. Acabou com um "prazer em te conhecer". Exatamente como deveria acabar. Não era tchau, não era uma despedida, elas doem tanto. Só queriam dizer ali, sabendo que nunca mais se veriam de novo, que foi bom. Que eles seriam guardados, um na memória do outro, com um carinho enorme. Saudade, eventualmente. Eles seriam um para o outro, aquela carta carregada de carinho, que fica no fundo da gaveta. Ela já não vai mudar nada, ou trazer nada, mas não se consegue jogar fora. Pelo amor que há dentro dela.

Rubem costumava dizer "que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?''. Ele era a estrela morta cuja luz ainda chegava no céu dela. E vice versa. Triste dizer você é minha estrela morta. Bonito ser a estrela morta de alguém. Bonito ter uma estrela morta. 

Eles não se encontraram de novo. Nem houve telefonemas. Nada. Muito menos cartas. Ele não sabia anda dela, além do nome. E ela o mesmo. A vida, essa força maior, deveria determinar o futuro. Sentiam saudade, de vez em quando, pois estavam longe, viam coisas diferentes. O sol se punha em horários diferentes para eles. Falavam em línguas diferentes. E, mesmo assim, com todas as controvérsias, pensavam um no outro. E nunca, por nenhum segundo, desejaram nunca ter conhecido o outro. Não importava para eles por quê o encontro aconteceu, ou por quê eles dois não puderam ficar juntos. Só importava para quê tinham se conhecido. E eles descobriram. É perceptível quando eles sorriem.
 Mas não ameis, nunca ameis à distância! 
Esse seria meu único conselho, se amar fosse voluntário.

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